
Galocha não é chuteira, mas joga bola e faz comer areia
19/04/2010“A força está na barriga. É o abdominal que segura tudo”, gritava ele para as quase 40 meninas estiradas ao chão.
O abdomen desenhado daquele negro de porte de cavalo fazia com que ninguém ousasse contestar. E tome areia nas costas, no cabelo, na boca. Tudo pelo futebol.
“Gabri, para de miguezá!”
A desculpa da asma já não mais colava. Era “migué” mesmo. Cansaço depois de um longo dia de aula na escola, no inglês e de estudo para a prova de matemática, no dia seguinte.
As contas ali pareciam não ter fim: um enorme campo de areia, incontáveis obstáculos espalhados pelo chão, tempo que demorava a passar. De certo, apenas a equação: goleira + dez jogadoras = titulares no jogo do fim de semana.
Galocha morava no morro, mas tinha pose de rei. E tinha poder. De escolher, de fazer rir, de fazer chorar.
Era difícil, pelo semblante, saber se viria uma bronca, um elogio ou uma piada. Era amado e odiado. E adorava. Todos adoravam.
Galocha ficou chateado quando eu disse adeus. Fazia parte do personagem.
Galocha abriu aquele sorriso branco quando, anos e anos depois, me reencontrou.
“Gabri, que saudade!”
Desculpe o erro soube e não sob, valeu!!!